Jeniffer Nascimento recorda história do seu cabelo cacheado: ‘Sou livre agora’

Atriz, que é grande incentivadora de mulheres que querem assumir os fios naturais, conta que seu estilo mudou muito desde que deixou o liso no passado.

Esse cabelo é apenas um tiro, né, mores? (Foto: Arquivo pessoal )

Por onde ela passa, não tem como não atrair olhares curiosos e cheios de admiração. Jeniffer Nascimento chama atenção – real oficial – com seu cabelón black power. É lindo de ver! Mas antes de chegar a esses cachos castanhos e levemente dourados… “Você não sabe o quanto eu caminhei”.

“Já passei por quase tudo que se possa imaginar com cabelo (risos)”

A atriz, no ar como Tânia, em Pega Pega – aliás, não se engane quando assistir às cenas da funcionária do Carioca Palace em seu horário de trabalho, quando ela usa coque – contou tudo sobre sua transição capilar ao Gshow.

“Foi um processo maravilhoso”

A Tânia (Foto: TV Globo)
A Jeniffer (Foto: Carolina Morgado/Gshow)

Para refrescar a memória…

Os diferentes cabelos de Jeniffer (Foto: Arquivo pessoal e Raphael Dias / Gshow)

“O cabelo liso eu usei grande parte da minha adolescência, dos 12 até os 20 anos. Antes, eu já usava química para ‘amaciar o cabelo’. Não tirava os cachos, mas era para diminuir aquele volume”

A verdadeira descoberta dos seus cachos veio depois de um ano e dois meses vivendo com as tranças da personagem Sol, de Malhação Sonhos.

“A Sol precisava ser uma personagem empoderada, uma personagem muito representativa. Quando eu passei no teste, estava de cabelo liso, cheio de luzes loiras e megahair. Aquilo era totalmente contra o que a ela pregava”, lembra.

Jenny começou a temporada de ‘Malhação’ com tranças e, ao final, usou penteado black (Foto: Ellen Soares/Gshow)

“Quando eu tirei a trança, meu cabelo estava enorme embaixo. Para mim foi uma surpresa. Eu nem sabia que eu estava passando pela transição”

Depois de tranças removidas, black assumido, muita coisa mudou na vida da atriz, a começar pelo estilo.

“Foi um processo de metamorfose mesmo, sabe?”

“Meus acessórios mudaram completamente. Eu acho muito mais fácil harmonizar estilos com o cabelo que eu tenho hoje do que antigamente. Às vezes, eu colocava uma coisa e falava: ‘ai, fica demais’. Hoje meu cabelo já é demais, então qualquer coisa que eu coloque não vai ficar mais extravagante do que o cabelo. Eu posso ousar mais os estilos. Gosto muito de moda e de poder usar coisas diferentes”.

Pegou a dica dos acessórios?                     (Foto: Raphael Dias/Gshow)

“Como mulher eu fiquei mais segura, mais forte. A transição capilar foi na mesma época da minha transição de menina para mulher, então me fortaleceu muito. Fiquei mais segura, sei impor mais minha opinião sobre as coisas”

Mas esse processo não foi só flores, como a atriz lembra:

“Tiveram alguns comentários sem noção, mas situação de preconceito enquanto eu estava com a trança, graças a Deus não sofri. Tinham olhares tortos, ainda mais quando eu ia num evento onde as pessoas usam aqueles cabelos arrumados. Eu falo que, quando eu assumi os meus cachos, foi o momento em que eu entendi o que era ser negra no nosso país e o que era sofrer preconceito”.

Mas a superação disso veio com muito amor: ???? (Foto: Arquivo Pessoal)

“Comecei a aprender a fazer uns penteados mais elaborados e meu namorado [o ator Jean Amorim] me ajudava a fazer”

Aquela pergunta clássica que toda cacheada ouve “Dá muito trabalho para cuidar?”: responde aí, Jeniffer!

“O cabelo liso não era meu, então eu tinha que ficar fazendo todo dia: escovar, passar chapinha, cachear essas pontas, e não podia pegar uma chuva”

“O cacho, para mim, é a coisa mais fácil do mundo. Tomo banho, lavo, uma vez na semana faço uma finalização mais demorada. Se eu quiser prender, depois é só jogar um pouquinho de água que ele volta para o lugar de novo”.

“Sou livre agora”

Podemos dizer livre, maravilhosa e plena, né?     (Foto: Felipe Monteiro / Gshow)

Hoje defensora dos cachos, Jeniffer levanta a bandeira mesmo do “sinta-se linda”:
“Optar pela química é uma questão de livre arbítrio. Cada um tem o direito de se sentir bem como acha que tem que ser. Mas, no meu caso, acho que a química foi um modo de eu me adequar. Quando chegou na adolescência, que eu vi que todo mundo tinha cabelo liso, eu queria ser parte. Eu não tinha nenhuma referência de uma pessoa pública que fosse negra e tivesse cabelo cacheado, com volume e fosse superbem aceita”.

Por Anny Ribeiro | Gshow, Rio | 28/08/2017 às 8h12.

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Por Anny Ribeiro | Gshow, Rio | 28/08/2017 às 8h12.

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